Cultura
Protagonismo às pessoas com deficiência: 2ª edição do Festival Acessa BH chama atenção para o Setembro Verde
*Com cerca de 50 atrações, o evento vai até 31 de outubro apresentando espetáculos teatrais, de dança, música e literatura de artistas com e sem deficiência, além de diversas atividades formativas
*Espetáculo Kiuá Matamba – Salve a Força dos Ventos, com Mona Rikumbi, primeira mulher negra e cadeirante a atuar no Theatro Municipal de São Paulo, é uma das atrações, 27 de outubro, às 20h
*Show com Batuqueiros do Silêncio e o Som da Inclusão | Som da Pele (PE), a peça “O Pequeno Príncipe”, com a Cia Fluctissonante (PR), a performance “Ah, se eu fosse Marylin!”, com o artista Edu O. (BA), e muito mais!
*Toda a programação é acessível e gratuita: www.youtube.com/AcessaBH
A 2a edição do Festival ACESSA BH, que coloca em protagonismo às pessoas com deficiência, tanto nos palcos como no centro dos debates, trazendo o assunto da inclusão e da acessibilidade para a pauta e prática cotidiana, acontece de forma presencial e online para todo Brasil, até 31 de Outubro.
De olho no Setembro Verde, uma campanha nacional para conscientizar a população sobre a importância de incluir as pessoas com deficiência, e também no dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, o evento traz uma programação especial com mais de 50 atrações gratuitas como espetáculos teatrais, de dança, música e literatura de artistas com e sem deficiência, além de diversas atividades formativas.
“Para o Festival e Seminário online, ampliamos o alcance, convidando artistas e profissionais de dez estados brasileiros e com olhar não só para diferentes corpos, mas também para a diversidade, com o protagonismo também de artistas mulheres e LGTBQIA+”, explica Lais Vitral, idealizadora e curadora do evento.
Ainda nesta edição o Festival Acessa BH traz a estreia do espetáculo híbrido de dança e teatro “Ave”, composta por artistas da Ananda Cia de Dança Contemporânea e do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados, show dos “Batuqueiros do Silêncio e o Som da Inclusão”, um dos poucos grupos musicais formado por pessoas com deficiência auditiva que já se apresentou em vários cantos do Brasil e participou do encerramento dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016, a peça “O Pequeno Príncipe”, com a Cia Fluctissonante (PR), encenada em Português e Libras simultaneamente, a fim de unir os públicos surdos e ouvinte na plateia do espetáculo e a exibição do espetáculo “Kiuá Matamba” – Salve a Força dos Ventos , com Mona Rikumbi, primeira mulher negra e cadeirante a atuar no Teatro Municipal de São Paulo.
- Kiuá Matamba. Foto: Luisa Zucchi .
- O Pequeno Príncipe. Foto: Elenize Dezgeniski.
O Festival Acessa BH parte do princípio de que a pessoa com deficiência deve ter seu direito à cultura garantido, e para isso deve poder escolher o melhor dia/horário, bem como comparecer com seus amigos e familiares.
Programação Completa (oficinas, debates, rodas de conversa e seminário): https://acessabh.com.br/
Programação (Próximos dias) – Espetáculos online – disponíveis em www.youtube.com/AcessaBH
26/09 –20h – Batuqueiros do Silêncio e o Som da Inclusão | O Som da Pele (PE)
Batuqueiros do Silêncio e o Som da Inclusão é uma síntese do repertório do grupo que vai dos ritmos tradicionais de nossa cultura popular, passando pelo Maracatu de Baque Virado, Frevo, Coco de Roda, Ijexá e Ciranda, além de visitar também alguns ritmos mais contemporâneos tais como: Afro Beat, Break Beat, Drum in Bass, Raggamuffin, Reggaeton e Manguebeat, claro. O som forte das alfaias associado aos recursos luminosos que usamos nos instrumentos, somadas a mensagens que falam de atitude, inclusão e respeito, proporciona uma experiência inesquecível e que sempre ultrapassa os limites do som!
01/10 – 20h – Ah, se eu fosse Marylin! – Edu O. (BA)
Ah, se eu fosse Marilyn! é uma performance criada por Edu O. inspirada na peça “Dias Felizes” de Samuel Beckett. A partir da construção/desconstrução de imagens corporais cotidianas, reflete sobre a passagem do tempo. Isolado em seu quarto, o homem é consumido por seus objetos, roupas e livros. A forma cíclica, inconstante e impermanente como a vida vai se apresentando, nos propõe reflexões acerca da nossa trajetória, expectativas, conquistas e insucessos. Que rastros deixamos pelo caminho? Aonde chegamos? O que é dar certo? O que é o sucesso? Uma proposta artística que versa também sobre os padrões corporais e morais que se impõem às individualidades e particularidades de cada um.
04/10 – 20h – Motus – Congresso Internacional do Medo – Cia Ananda (MG)
Motus é uma criação coreográfica originada a partir do poema “Congresso Internacional do Medo”, de Carlos Drummond de Andrade. A criação entrelaça poema, dança e língua de sinais brasileira – Libras.
06/10 – 19h – Live com artistas – Anamaria Fernandes (Dançarina e coreógrafa e fundadora da Cia Ananda), João Paulo Lima (performer, educador e escritor) e Juliana Saúde (Fundadora do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados) e mediação de Brisa Marques (Artista, escritora, letrista e jornalista).
07/10 – 20h – A Corda em Si (SC)
Um contrabaixo e uma voz, duas linhas sonoras que se entrelaçam em uma dança que insinua, sugere muito mais do que mostra. O peito vibra e a voz salta no ar. Emoção, intimidade, cores de uma paisagem rica e vibrante. Fernanda Rosa e Mateus Costa, deficientes eficientes, não visuais, visionários pela proposta da corda bamba, do dia-a-dia da profissão. Equilíbrio na corda, A Corda em Si há treze anos juntos. A audiodescrição dá acesso à dignidade, lugar que pertencemos e que é de todos. No repertório dessa apresentação, composições instrumentais feitas para essa formação, poesias sobrepostas e Heitor Villa-Lobos. Fones de ouvidos fazem o peito soar, na intensidade de cada um e em cada momento… à surpresa.
11/10 – 20h – N’Otro Corpo – João Paulo Lima (CE)
N’otro Corpo é um ensaio sobre possibilidades. O que nos constitui sujeitos de nós mesmos e de nossos movimentos? Essa dança afirma reagir, resistir e empoderar. O olhar autoetnográfico de João Paulo Lima constrói um discurso sobre a história-memória-corpo. O que dizer de uma experiência que pode nascer do “corpo sem o sentido da falta”, como anota o escritor angolano Gonçalo M. Tavares? Variações lúdicas, grotescas e eróticas gravitam as ideias do intérprete e da diretora Alda Pessoa ao invadir olhares para lançar perguntas: Que corpo temos? Que corpo podemos ter?
12/10 – 16h – O Pequeno Príncipe – Cia Fluctissonante (PR)
Em sua nova montagem para crianças, a Cia. Fluctissonante revisita o clássico da literatura mundial “O Pequeno Príncipe”. Na peça, duas atrizes e um ator levam ao público a história do Principezinho que encontra um Aviador em meio ao deserto, e passa a narrar as aventuras que viveu nos planetas em que passou. Desta vez, a trama é encenada em Português e Libras simultaneamente, a fim de unir os públicos surdos e ouvinte na plateia do espetáculo.
13/10 – 20h – Frida – Vanessa Cornélio (SP)
Como uma pessoa com deficiência pode se estabelecer na arte? Como a sociedade, de modo geral, entende, recebe e se relaciona com tantas pessoas que coexistem juntas, em suas muitas e diferentes necessidades? Estas são algumas inquietações presentes em “Frida”, performance artística digital. A atriz e comunicóloga Vanessa Cornélio empresta sua pele a Frida Kahlo, celebrada artista mexicana, em um texto criado a partir de cartas, seu diário e mesmo citações em reportagens da época que ela viveu. Em suas semelhanças e individualidades, Frida e Vanessa compartilham sonhos, dores e desafios: como viver neste nosso mundo em um corpo com deficiência? Para além da performance, Vanessa traz depoimentos pessoais que se confundem com a trajetória de Frida, com falas potentes sobre as múltiplas e diversas questões que perpassam o cotidiano das pessoas com deficiência.
17/10 – 19h – Live com artistas | Giovanni Venturini, Vanessa Cornélio e Mona Rikumbi
Giovanni Venturini (Ator, palhaço, dramaturgo/roteirista e poeta), Mona Rikumbi (Filha do Sol _ Atriz, poeta, performer, modelo) e Vanessa Cornélio (Diretora e performer). com mediação de Brisa Marques (artista, escritora, letrista e jornalista)
24/10 – 20h – Ave – Cia Ananda e Sapos e Afogados
Ave é um documentário-espetáculo que traz fragmentos e depoimentos da criação “Ave”, composta por artistas da Ananda Cia de Dança Contemporânea e do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados. Este trabalho inédito compartilha registros de gestos, sons e palavras que atravessam e constituem a construção de um espetáculo híbrido de dança e teatro. São com voos, revoadas, quedas, cantos e fúria que, poeticamente, os artistas questionam o lugar da arte na nossa sociedade e como esta tem lidado com corpos loucos e corpos violentados.
25/10 – 20h – A Não Ser – Giovanni Venturini (SP)
Partindo de perguntas e de uma reflexão cotidiana sobre sua própria condição e os diferentes olhares que recebe, Giovanni Venturini criou uma ação performativa que traz pílulas poéticas abordando a questão do nanismo como dispositivo para a criação. A apresentação tem momentos narrativos e performativos, a fim de contextualizar o universo explorado pelo artista. Além do viés da acessibilidade, o espetáculo busca provocar uma reflexão sobre a identidade única de cada ser humano e assim facilitar o processo de aceitação de suas diferenças.
26/10 – 20h – Cartas para Irene – Oscar Capucho (MG)
“Cartas para Irene” é um trabalho que fala sobre memória e saudade e se estrutura a partir de cartas escritas por Oscar Capucho à sua mãe, falecida em abril de 2012. Oscar Capucho é dançarino e ator. Ficou cego aos 9 anos devido a um descolamento de retina. Neste espaço-tempo que marca a transição entre o mundo permeado por imagens e um outro, no início obscuro, permeado de incertezas, Oscar descreve com muita emoção o papel que Irene, sua mãe, teve em sua vida.
27/10 – 20h – Kiuá Matamba – Salve a Força dos Ventos – Mona Rikumbi (SP)
Monólogo da artista Mona Rikumbi, acompanhada pelo percussionista Adetayo Ariel. Utilizando cânticos e toques do Ngoma (tambores) com referências de natureza étnica Bantu e textos autorais, a performance traz a perspectiva da cura, onde de forma lúdica “Matamba”, Divindade Afro Bantu, leva para longe com seus Ventos, todo mal do mundo. Sobre: fome, racismo, sexismo, capacitismo, medo, guerra, morte…
31/10 – 20h – Húmus – Coletivo. Direção Renata Mara (MG)
Substância orgânica amorfa que fertiliza a terra – HÚMUS: espetáculo de dança que nos coloca em contato com a nossa condição humana, marcada pelo eterno ciclo de nascer, morrer e renascer. Frente às diversidades humanas presentes em cena, vê-se tanto as diferenças dos corpos quanto a transcendência do que nos iguala. Húmus – Do fim ao começo…
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Cultura
A nova era do bolsonarismo. À consolidação de uma força política.
O bolsonarismo entrou em uma nova fase. O movimento político que ganhou força a partir da ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República agora enfrenta um dos momentos mais decisivos de sua história: provar que consegue manter influência eleitoral mesmo sem a presença de seu principal líder nas urnas.
A eleição de 2026 mostrou que o bolsonarismo deixou de depender exclusivamente de Jair Bolsonaro como candidato. O movimento passou a funcionar também como uma estrutura política, eleitoral e familiar, com forte presença no Congresso Nacional e capacidade de mobilização em diferentes regiões do país.
DA LIDERANÇA PESSOAL À SUCESSÃO POLÍTICA
Jair Bolsonaro continua sendo uma referência central para seu campo político, mas sua situação jurídica alterou profundamente o cenário. O Supremo Tribunal Federal manteve a condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, tornando sua participação direta na disputa presidencial ainda mais limitada.
Nesse contexto, a eleição de 2026 passou a representar também um teste de sucessão.
Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, assumiu o protagonismo da candidatura presidencial do grupo. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo resultados reportados pela Reuters. A disputa foi encaminhada para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O resultado transformou a eleição em algo maior do que uma simples disputa entre dois candidatos. Ela passou a ser interpretada também como um teste sobre a capacidade de sobrevivência e transformação do bolsonarismo.
UM MOVIMENTO QUE GANHOU FORÇA NO CONGRESSO
Um dos principais sinais dessa transformação está no Legislativo.
O Partido Liberal, principal legenda do campo bolsonarista, ampliou significativamente sua presença no Senado e na Câmara dos Deputados. Segundo levantamento divulgado pela Reuters, o partido passou de 15 para 28 cadeiras no Senado e poderá contar com 121 deputados na Câmara, contra 98 anteriormente.
Esse crescimento representa uma mudança importante na relação de forças dentro de Brasília.
Mesmo que a Presidência da República seja ocupada por outro grupo político, uma bancada conservadora fortalecida poderá influenciar a agenda nacional, as votações no Congresso, as discussões econômicas e as pautas relacionadas à segurança pública, costumes e organização do Estado.
O bolsonarismo, portanto, passa a disputar poder não apenas pela Presidência, mas também pelo Congresso.
A FAMÍLIA COMO ESTRUTURA POLÍTICA
Outro elemento característico dessa nova fase é a presença de integrantes da família Bolsonaro em diferentes espaços da política nacional.
A força eleitoral do grupo familiar passou a funcionar como uma espécie de rede política. A estratégia permite que o sobrenome Bolsonaro continue presente em eleições para diferentes cargos, mesmo diante das limitações jurídicas enfrentadas pelo ex-presidente.
Esse fenômeno também levanta uma questão para os próximos anos: o bolsonarismo continuará sendo identificado principalmente com Jair Bolsonaro ou conseguirá se transformar em uma corrente política mais ampla, capaz de sobreviver à liderança original?
MAIS DO QUE UM NOME, UMA IDENTIDADE POLÍTICA
O bolsonarismo construiu, ao longo dos últimos anos, uma identidade política própria.
Entre seus principais elementos estão a valorização das pautas conservadoras, a defesa de posições mais rígidas na área de segurança pública, o discurso de redução da influência do Estado em determinadas áreas da economia e uma forte oposição ao campo político liderado pelo PT.
A comunicação digital também teve papel fundamental nessa construção.
Redes sociais, grupos de mensagens e plataformas digitais permitiram ao movimento criar canais próprios de comunicação com seus eleitores, reduzindo a dependência dos meios tradicionais de comunicação.
Essa estrutura permanece ativa e representa um dos principais ativos políticos do movimento.
O DESAFIO DA RENOVAÇÃO
A nova fase, entretanto, também traz desafios.
Sem Jair Bolsonaro como candidato presidencial, seus sucessores precisarão conquistar eleitores para além do núcleo mais fiel do movimento.
Flávio Bolsonaro terá de demonstrar que consegue transformar a força política associada ao sobrenome Bolsonaro em uma candidatura com identidade própria e capacidade de dialogar com setores mais amplos do eleitorado.
Ao mesmo tempo, o campo conservador terá de lidar com diferentes lideranças que disputam espaço dentro da própria direita.
A existência de governadores, parlamentares e outras lideranças conservadoras mostra que o futuro desse campo político poderá ser mais fragmentado do que durante o período de maior concentração da liderança em Jair Bolsonaro.
UM NOVO CICLO
A eleição de 2026 sugere que o bolsonarismo não desapareceu com a saída de Jair Bolsonaro da disputa presidencial.
Ao contrário, os resultados eleitorais indicam que o movimento conseguiu preservar uma parcela significativa de sua força e ampliou sua presença institucional.
A grande mudança está justamente aí: o bolsonarismo começa a deixar de ser apenas o movimento de um presidente para se transformar em uma corrente política com sucessores, bancadas, estruturas partidárias e uma identidade eleitoral própria.
O resultado do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será decisivo para determinar o tamanho dessa transformação. Independentemente do resultado presidencial, porém, uma conclusão já se apresenta: o bolsonarismo entrou em uma nova era, na qual a disputa pelo seu legado será tão importante quanto a disputa pelo poder.
FONTE : Volnei Barboza
Celebridades
Ejoy Brasil, por Rodrigo Zanardi, leva o extraordinário Selo Black a Jurerê Internacional em edição histórica que promete atrair turistas de todo o Brasil na véspera de feriado.
Um novo capítulo se inicia para a Ejoy Brasil. Sob o comando de Rodrigo Zanardi, o projeto traz o extraordinário Selo Black para Jurerê Internacional, em Florianópolis, prometendo uma edição histórica na véspera de feriado.
A data estratégica aumenta a expectativa de reunir turistas de todo o Brasil, além de personalidades e um público bonito, diverso e cheio de estilo, criando uma atmosfera cool, sofisticada e descontraída, que promete movimentar a cena do entretenimento na capital catarinense.
A experiência ganha ainda mais destaque com um line-up especial, que reúne um dos melhores DJs do Brasil, prometendo música de qualidade, energia contagiante e uma pista vibrante do início ao fim.
Com a união da Ejoy Brasil e do Selo Black, a proposta é proporcionar uma experiência diferenciada, marcada por música, encontros e muita personalidade, colocando Jurerê Internacional no centro das atenções em uma ocasião especial.
Florianópolis se prepara para receber visitantes de diferentes regiões do país em uma edição que promete entrar para a história da Ejoy Brasil.

Celebridades
Acupuntura e seus benefícios, Dr. Volnei Barboza.
As crenças iniciais da acupuntura se baseavam em conceitos que são comuns na medicina tradicional chinesa, como uma energia da vida chamada qi
Acreditava-se que o qi fluía dos órgãos primários do corpo (órgãos zang fu) para tecidos “superficiais” do corpo como pele, músculos, tendões, ossos e juntas através de canais chamados meridianos. Os acupontos se localizam, quase sempre, ao longo dos meridianos Os que não se localizam ao longo dos meridianos são chamados extraordinários, e aqueles que não têm localização específica são chamados pontos a-shi.
Os acupontos propriamente ditos ficam sob a pele, não na superfície, e para que sejam estimulados devidamente e com segurança, as agulhas são introduzidas em diferentes graus de inclinação conforme o caso. Yintang, por exemplo, um acuponto localizado entre as sobrancelhas, deve ser punturado perpendicularmente em relação à pele no sentido do topo da cabeça para baixo, pinçando-se a pele levemente entre os dedos no momento da introdução da agulha; VB30, por outro lado, um ponto localizado em ambas as nádegas, deve ser punturado profundamente em ângulo de 90º.
O sentido das agulhas, o tempo e a forma de estimulação também podem variar conforme o tratamento específico. Condições de excesso (de chi ou de xué) são tratadas com estimulações menos vigorosas e pouco demoradas, ao passo que condições de vazio ou deficiência pedem manobras de entrada e retirada (não se retira totalmente a agulha, apenas se dá pequenos solavancos para cima e para baixo), fricção (na parte áspera da agulha), giros de um lado para outro ou mesmo pequenos petelecos na ponta exposta da agulha.
É costume também utilizar um “mandril” para inserir as agulhas. Trata-se de um pequeno tubo plástico descartável dentro do qual corre a agulha. A leve pressão da ponta do mandril sobre a pele ajuda a reduzir a dor da entrada, mas acupunturistas muito experientes muitas vezes optam por inserir a agulha em um movimento rápido à mão livre até a profundidade indicada, o que não é possível com o mandril (a diferença entre o comprimento do mandril e da agulha é o quanto se conseguirá inserir da agulha no primeiro movimento).
Sensação de qi
De-qi (Chinês: 得气; pinyin: dé qì; “chegada de qi”) se refere a uma alegada sensação de torpor, distensão ou formigamento elétrico no local da agulha. Se essa sensação não ocorre, então se justifica dizendo que o acuponto não foi localizado corretamente, ou a agulha não foi inserida na profundidade correta, ou houve manipulação inadequada. Se o de-qi não é imediatamente sentido no local de inserção da agulha, várias técnicas de manipulação costumam ser empregadas para promovê-la, como arrancar, sacudir e tremer.[61]
Uma vez que o de-qi é observado, técnicas podem ser utilizadas para “influenciar” o de-qi: por exemplo, através de certa manipulação, o de-qi pode, supostamente, ser transferido do local da agulha para locais mais distantes do corpo. Outras técnicas objetivam “tonificar” (chinês: 补; pinyin: bǔ) ou “sedar” (chinês: 泄; pinyin: xiè) o qi.
As primeiras técnicas são usadas em padrões de deficiência, as últimas em padrões de excesso de energia.[61] O de-qi é mais importante na acupuntura chinesa, enquanto os pacientes ocidentais e japoneses podem não considerá-lo uma parte necessária do tratamento.[52]
Práticas relacionadas
Do-in, uma forma não invasiva de trabalho corporal, usa pressão física aplicada aos acupontos por meio das mãos, dos cotovelos ou de outros instrumentos.A acupuntura é, frequentemente, acompanhada de moxabustão, a queima de preparações cônicas de moxa (feitas a partir de várias espécies do gênero Artemisia secas) sobre ou próximo à pele, frequentemente porém nem sempre em acupontos ou próximo a eles. Tradicionalmente, a acupuntura é usada para tratar doenças agudas, enquanto a moxabustão é usada para tratar doenças crônicas.
A moxabustão pode ser direta (o cone é colocado diretamente sobre a pele e permite-se que ele queime a pele, produzindo uma bolha e, eventualmente, uma cicatriz) ou indireta (o cone é colocado sobre uma fatia de alho, gengibre ou outro vegetal, ou um cilindro de moxa é mantido acima da pele, perto o bastante para aquecer ou queimar a pele).
Ventosaterapia é uma antiga forma chinesa de medicina alternativa na qual é criada uma sucção local sobre a pele; os praticantes acreditam que isso mobiliza um curativo fluxo de sangue.
Eletroacupuntura é uma forma de acupuntura na qual as agulhas são ligadas a um aparelho que gera pulsos elétricos contínuos (isso já foi descrito como, essencialmente, estimulação nervosa elétrica transdermal TENS mascarada como acupuntura).
Acupuntura de agulha de fogo é uma técnica que envolve a rápida inserção de agulhas aquecidas por fogo em partes do corpo.
Sonopuntura é uma estimulação do corpo similar à acupuntura usando som ao invés de agulhas. Isso pode ser feito usando transdutores que emitam ultrassom a uma profundidade de oito a seis centímetros em acupontos da pele. Alternativamente, pode ser usado um diapasão ou outros aparelhos emissores de som.
Injeção em acupontos é a injeção de várias substâncias (como remédios, vitaminas ou extratos herbais) nos acupontos. Essa técnica combina acupuntura tradicional com a injeção de uma dose efetiva de um remédio aprovado, e seus defensores sustentam que ela é mais eficiente que qualquer tratamento isolado, especialmente para o tratamento de alguns tipos de dor crônica. Entretanto, um estudo de 2016 revelou que a maior parte dos trabalhos publicados sobre o tema era de pouco valor devido a problemas metodológicos, e que testes em escala mais ampla seriam necessários para chegar a conclusões mais precisas.
Com base no conceito de microssistemas de acupuntura e sob os mesmos fundamentos da medicina tradicional chinesa que caracterizam a acupuntura, se desenvolveram técnicas explorando as possibilidades terapêuticas de regiões específicas do corpo como o pavilhão auricular (orelha) e as mãos.
Dentre estas, a mais antiga e difundida é a auriculopuntura ou auriculoterapia, já registrada no Neijing (500-300 a.C.). Tal técnica conta hoje com mais de uma escola: a chinesa clássica e a francesa, tendo sido esta última fundada pelo neurocirurgião francês Paul Nogier em 1957. Bem mais recente, o microssistema de acupuntura dos pontos das mãos – Korio Soo-Ji-Chim (Acupuntura de Mão, Coreana) foi desenvolvida apenas em 1975, por Tae Woo Yoo.[75] Os microssistemas são identificados seguindo a mesma lógica da reflexologia, ou seja, uma determinada área do corpo traz pontos reflexos de todo o corpo. Na auriculoterapia, por exemplo, visualiza-se um feto invertido sobre o pavilhão auricular para saber a que parte do corpo se refere cada região da orelha. Não há evidência científica, no entanto, de que a auriculoterapia possa curar doenças. A acupuntura do couro cabeludo, desenvolvida no Japão, é baseada em considerações reflexológicas do couro cabeludo.
A acupuntura cosmética é o uso da acupuntura numa tentativa de reduzir as rugas do rosto.
A acupuntura de veneno de abelha é a injeção de veneno de abelha purificado e diluído nos acupontos.
Colin A. Ronan, em sua “História ilustrada da ciência da Universidade de Cambridge”, assinala o período histórico de surgimento/consolidação de algumas das ideias básicas da ciência chinesa que eventualmente levaram ao desenvolvimento da técnica da acupuntura, como a concepção de Yin / Yang (陰陽) no princípio do século IV a.C. e a teoria dos Cinco elementos Wu Xing (五行), entre 370 e 250 a.C. por Tsou Yen (Zou Yan), o membro mais destacado da Academia Chi-Hsia (Zhi-Xia) do príncipe Hsuan (Xuan).
Na medicina tradicional chinesa, a doença é, geralmente, percebida como uma desarmonia em energias como yin, yang, qi, xuĕ, zàng-fǔ e meridianos, e na interação entre o corpo e o ambiente.[62]:77 A terapia se baseia em quais “padrões de desarmonia” podem ser identificados.[80][81]:1 Por exemplo, acredita-se que algumas doenças são causadas quando meridianos são invadidos por excesso de frio, vento e umidade.[81]:169-73 Visando a determinar qual é o padrão existente, os praticantes examinam itens como cor e formato da língua, a força relativa dos pontos de pulsação, o odor da respiração, a qualidade da respiração e o som da voz.[82][83] A medicina tradicional chinesa não diferencia claramente causa e efeito dos sintomas.[84]
FONTE: http://drvolneibarboza.com.br/
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