Educação
Greenpeace, Instituto Ser+ e Museu das Culturas Indígenas oferecem vagas gratuitas para capacitação profissional de jovens em todo o Brasil
Em qualquer setor, eficiência e desempenho são essenciais para o sucesso do profissional. Dentro desse contexto, investir na qualificação e possibilitar que novos profissionais possam ter acesso ao mercado de trabalho e terem a chance de aperfeiçoar suas habilidades e desenvolver novas, se tornou fundamental para geração de empregabilidade e ampliação de mão de obra qualificada.
Por meio dessas iniciativas, é possível auxiliar o desenvolvimento de profissionais de diferentes segmentos, oferecer acesso à informação de qualidade e formação técnica, além de dar a possibilidade desses profissionais conseguirem se manter atualizados, relevantes dentro de suas áreas de atuação e competitivos no mercado de trabalho e na sociedade como um todo.
Para Daniel Spolaor, cofundador e CEO da Koru, um polo de conhecimento para o aprimoramento de carreiras e já ofereceu mais de R$ 1 milhão em bolsas de estudo, os programas de capacitação profissional não devem ser ignorados por empresas e organizações.
“Hoje você tem as empresas que investem em capacitação e isso é fundamental, porque a formação corporativa, com cursos e programas que permitem atualização e desenvolvimento de novas habilidades da equipe, resultam diretamente no desempenho e na capacidade de inovação de uma marca. Além disso, os colaboradores se tornam mais engajados, se sentem mais valorizados e pertencentes, o que aumenta a retenção dos talentos e a construção de uma estratégia eficaz de gestão de pessoas”, afirma.
Veja lista de empresas e organizações que oferecem cursos de capacitação totalmente gratuitos para a população.
Cursos Gratuitos
*PROA abre milhares de vagas para cursos profissionalizantes gratuitos para jovens de escola pública de SP, MG, RJ e PR*
O Instituto PROA está com inscrições abertas e milhares de vagas para cursos de capacitação online e gratuitos para quem quer iniciar no mercado de trabalho. Jovens de 17 a 22 anos, que estão concluindo ou que já concluíram o Ensino Médio em escola pública nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro podem fazer suas inscrições pelo link https://plataforma.proa.org.br/login/index.php, até o dia 4 de setembro.
O curso do PROA tem 100 horas e é dividido em 4 módulos que preparam os alunos para definirem metas profissionais e se saírem bem nas entrevistas de emprego: autoconhecimento, projeto profissional, raciocínio lógico e comunicação. São 7h30 de aulas por semana, de segunda a sexta-feira. Ao final do curso, os participantes recebem certificado de conclusão e acesso a uma plataforma exclusiva de vagas de emprego.
Instituto Ser+ abre 30 vagas para projeto de capacitação em tecnologia
Em parceria com a Unico, empresa brasileira especializada em identidade digital, o Instituto Ser+, que desde 2014 atua na criação e desenvolvimento de oportunidades para a juventude, está com 30 vagas para o projeto New Start Único, um curso voltado para jovens de 18 a 22 anos, da cidade de São Paulo, que tenham concluído o ensino médio em escola pública. As aulas serão presenciais e ministradas na Universidade São Judas Tadeu, no bairro da Mooca. O projeto vai oferecer aos participantes cartão alimentação, plano odontológico, kit pedagógico e uma bolsa de 50% na mensalidade da Universidade São Judas Tadeu.
O objetivo é descobrir novos talentos para o mercado de tecnologia, preparar esses futuros profissionais para atender as demandas do mercado além de desenvolver competências comportamentais, como resolução de problemas e raciocínio lógico, além de construção de conhecimentos técnicos em programação (front-end), tecnologia da Informação lógica de programação; HTML; CSS; JavaScript; Node JS; Data Base (SQL e no-SQL), jQuery, Bootstrap e projeto de vida e carreira.
As inscrições para participação no projeto ficarão disponíveis até o dia 04/08, pelo link: https://materiais.sermais.org.br/unico-new-start-sao-paulo
Greenpeace e Clima de Eleição prorrogam as inscrições para formação em advocacy climático para jovens das periferias até 14 de agosto
O Greenpeace Brasil e a organização Clima de Eleição, que promove a importância da agenda climática para a população jovem brasileira, anunciam a prorrogação das inscrições para o programa Adaptajuv – advocacy, adaptação e juventudes pelo clima, até o dia 14 de agosto. O projeto tem como objetivo capacitar jovens de Manaus (AM), Recife (PE) e São Paulo (SP) para a atuação ativista em prol de políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas. Podem participar organizações ou coletivos que já desenvolvem ações sociais por justiça climática, contra o racismo ambiental e que tenham interesse em incidir sobre a agenda climática de seus municípios. As inscrições podem ser realizadas pelo link: https://www.greenpeace.org/brasil/adaptajuv/.
Com 135 vagas, o programa terá aulas on-line de agosto a novembro, e disponibilizará 30 bolsas conectividade de R$ 100,00 para quem precisar de apoio para custos de acesso à internet. O período das aulas será de cerca de 30 dias – na sequência, três organizações de cada território serão selecionadas para a segunda fase do programa. Elas vão receber apoio financeiro para desenvolverem as campanhas de advocacy, como incentivo para organização de oficinas no território, além de comunicação e incidência política local pressionando o poder público.
Órbi Academy e Programadores do Amanhã abrem inscrições para curso gratuito de programação a jovens pretos, pardos e indígenas
Estão abertas inscrições para cursos gratuitos de programação, inglês e soft skills. A iniciativa é da ONG Programadores do Amanhã, novo parceiro do Órbi Conecta, principal hub de inovação de Minas Gerais. O curso que tem duração de um ano e foco em jovens de 16 a 21 anos, de baixa renda, pretos, pardos e indígenas é uma oportunidade para jovens de todo o Brasil, por ser 100% remoto, jovens de todo território nacional podem se candidatar. Para se inscrever os interessados devem estar regularmente matriculados no 2º ou 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública. As inscrições podem ser feitas pelo link https://programadoresdoamanha.org, até o dia 31 de agosto de 2023 e a previsão do início das aulas é em setembro.
Além da formação em programação, serão ministrados também mais três módulos: inglês aplicado ao mercado de TI, soft skills, além de apoio psicológico. As aulas são realizadas ao vivo, via plataforma Zoom. Caso o aluno não tenha acesso à internet e não possua computador, ele receberá um notebook e, também, auxílio financeiro para custear a internet durante todo o curso. A metodologia de aprendizagem é baseada em aplicação prática. Além da formação em si, no final do curso, os estudantes recebem apoio para serem admitidos no mercado de trabalho.
Museu das Culturas Indígenas promove encontros para formação gratuita de educadores
Neste mês de agosto, educadores dos ensinos fundamental e médio de São Paulo, poderão participar gratuitamente do ciclo de formação em temáticas indígenas. Os encontros acontecem em duas datas: em 10/08, das 10h às 12h, com foco no ensino fundamental, em 19/08, e das 15 às 17h, para educadores do ensino médio. A participação é gratuita e as inscrições estão abertas no site: https://museudasculturasindigenas.org.br/. Além das escolas, o ciclo formativo, conduzido pelos Mestre de Saberes, membros indígenas do programa educativo do Museu, também pode ser acompanhado por educadores de outros espaços de aprendizagem. A iniciativa é organizada pelo Museu das Culturas Indígenas (MCI), instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari) em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
Cultura
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Cultura
Anistia?
A anistia é um instrumento jurídico que permite ao Estado perdoar determinados crimes, extinguindo a punibilidade ou impedindo que o autor seja responsabilizado. Geralmente, esse tipo de medida é utilizado em contextos políticos — períodos de transição democrática, tensões sociais, conflitos internos ou momentos de grande polarização.
Para especialistas, a anistia cumpre uma função importante para reconstrução institucional, mas também pode gerar debate por seus limites e consequências.
Anistia Ampla: um perdão sem fronteiras legais
A anistia ampla é aquela que atua de forma abrangente, “cobrindo” a maioria — ou até a totalidade — dos envolvidos em um período de conflito político ou social. Ela não diferencia autorias, motivações ou tratamentos.
Características da anistia ampla
- Abrange quase todos os crimes cometidos em um contexto específico.
- Beneficia tanto opositores políticos quanto agentes estatais.
- Pode incluir crimes graves, dependendo da lei aprovada.
- Normalmente é pensada como parte de um processo rápido de pacificação.
No Brasil, o exemplo mais conhecido é o da Lei de Anistia de 1979, promulgada durante o regime militar. Apesar de ter sido celebrada por permitir o retorno de exilados e libertar presos políticos, a lei também beneficiou agentes da repressão, gerando críticas que permanecem até hoje.
Especialistas em direitos humanos afirmam que a amplitude da medida acabou dificultando investigações sobre violações graves, como tortura e desaparecimentos forçados.
📣 O que dizem os especialistas?
Segundo juristas, a anistia ampla costuma “apagar” o passado de forma mais brusca, o que pode ajudar na restauração institucional, mas também impedir processos de reconciliação baseados no esclarecimento da verdade.
Anistia Restrita: limites e critérios mais rigorosos
A anistia restrita é diferente. Trata-se de uma forma de perdão mais controlada, aplicável a grupos específicos ou a certos tipos de delitos.
Características da anistia restrita
- Só perdoa crimes selecionados pela lei.
- Normalmente exclui crimes graves, como:
- tortura
- homicídio qualificado
- estupro
- terrorismo
- Pode exigir critérios como reparação, colaboração com a Justiça ou confissão.
Esse modelo busca equilibrar o desejo de pacificação com a necessidade de responsabilização, evitando que pessoas envolvidas em crimes graves fiquem impunes.
🧭 Quando a anistia restrita é aplicada?
Em processos de transição democrática de diversos países — como Chile, Argentina e África do Sul — modalidades de anistia restrita foram utilizadas junto a comissões de verdade, permitindo que o país avançasse sem abrir mão da memória histórica.
A disputa entre o “esquecer” e o “lembrar”
A discussão entre anistia ampla e restrita não é apenas jurídica — ela representa um choque entre dois caminhos políticos:
Caminho 1: pacificação rápida
- O foco é “virar a página”.
- Evita conflitos e tensões institucionais.
- Tende à anistia ampla.
Caminho 2: justiça e responsabilização
- O foco é esclarecer o passado.
- Exige investigação e reconhecimento de erros.
- Tende à anistia restrita.
No Brasil, as disputas sobre qual modelo é mais adequado costumam refletir o clima político de cada época. Em momentos de polarização, o debate volta com força.
Maria Helena Duarte, professora de Direito Constitucional:
“Toda anistia é um ato político. A diferença está no grau de responsabilidade que a sociedade está disposta a assumir sobre seu próprio passado.”
Rafael Motta, pesquisador de Direitos Humanos:
“A anistia ampla pode impedir que a sociedade compreenda a dimensão das violações cometidas. Já a restrita permite avançar com mais equilíbrio, sem apagar a necessidade de justiça.”
Linha do tempo resumida das anistias no Brasil
- 1979: Lei da Anistia — ampla, geral e irrestrita; marco do processo de abertura política.
- Anos 1990–2000: Debates sobre a revisão da lei, especialmente em casos de violações graves.
- Anos recentes: O tema ressurge em discussões políticas contemporâneas, reacendendo debates sobre responsabilidade e limites do perdão estatal.
Conclusão
Compreender a diferença entre anistia ampla e restrita é essencial para entender como o Brasil — e qualquer sociedade — lida com períodos de conflito e transição. Enquanto a anistia ampla busca pacificação imediata, a restrita tenta equilibrar perdão e justiça, preservando a memória coletiva.
O debate permanece vivo, e sua evolução depende tanto do ambiente político quanto da capacidade do país de refletir sobre seu passado sem medo de encarar as próprias contradições.
Cultura
Projeto paranaense leva acesso à internet para comunidades excluídas do mapa digital.
Política inovadora troca ICMS por instalação de torres de transmissão e conecta mais de 300 mil pessoas em um ano.
Vencedor do Prêmio Espírito Público, na categoria Gestão e Transformação Digital, o Programa de Conectividade Rural do Paraná enfrentou uma das principais lacunas do desenvolvimento no estado: a exclusão digital em áreas remotas. Com 98% do território paranaense situado em zona rural, um levantamento realizado em 2023 identificou cerca de 920 localidades sem qualquer acesso à telefonia ou internet, atingindo vilas, assentamentos, comunidades quilombolas e pequenos povoados fora do radar das grandes operadoras, que não viam retorno financeiro para investir.
Sem acesso, agricultores enfrentavam dificuldades para receber crédito; jovens precisavam caminhar quilômetros para conseguir sinal e estudar; famílias ficavam sem falar com os filhos que migraram para as cidades. O projeto nasceu nesse cenário em 2023, e rapidamente se consolidou como política do estado. Em um ano, a cobertura rural saltou de 51,45% para 61,17%, beneficiando diretamente mais de 300 mil pessoas.
Hoje, envolve 17 órgãos do governo e adotou metodologias modernas de gestão, como Business Intelligence (BI), Análise Hierárquica de Processos (AHP) e design thinking, para priorizar áreas de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e com predominância de agricultura familiar, rios, matas e alta vulnerabilidade social.
Para o engenheiro agrônomo Julio Cesar de Oliveira, coordenador de Políticas Públicas de Inovação do Paraná, o acesso à internet deixou de ser um diferencial para se tornar um direito básico. “Hoje, a internet é como água e oxigênio: é vida, é um direito. Levamos conectividade com o objetivo de garantir cidadania.”
A grande inovação do projeto foi criar mecanismos inéditos de fomento e de financiamento. Em vez de depender de orçamento público, o Paraná criou um regime especial de compensação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que atraiu investimentos privados. Assim, créditos de impostos foram convertidos em infraestrutura feita por investimentos privados.
A estratégia deu certo: a TIM já se comprometeu a instalar 116 torres de transmissão; a Claro, 382; e a Vivo outras 411 torres. No total, serão quase 900 novas estruturas até 2027, sem gasto direto do Tesouro estadual. Dessas, cerca de 500 torres já estão em funcionamento.
Júlio apelida essa estratégia de “corrida do bem”. “Brinco com as operadoras: ‘Vocês vão deixar a concorrente ser a primeira do estado?’ Essa competição saudável acelera a instalação das torres. Quem ganha é o cidadão do campo”, afirma.
Modelo que inspira outros estados
Além dos ganhos sociais, o impacto econômico também é relevante. De acordo com o coordenador do projeto, estudos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) estimam que apenas os acordos com duas operadoras de telefonia – a TIM e a Claro – gerarão R$ 2 bilhões em retorno para o estado do Paraná, além de cerca de 40 mil empregos formais e informais e arrecadação de R$ 213 milhões em ICMS.
O projeto ainda está em andamento. Até 2026, a expectativa é que todas as localidades rurais do Paraná estejam conectadas. A estratégia já desperta interesse de outros estados, como Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Tocantins e Piauí, que buscam entender a experiência paranaense.
Agrônomo e também teólogo, Júlio fala do projeto com a paixão de quem enxerga nele quase uma missão pessoal. “Cada torre que se ergue é como se fosse uma vitória. Eu vibro, porque sei que ali a gente está levando vida, dignidade, igualdade. Internet no campo não é luxo. É oxigênio.”
FONTE: Julio César e Lincoln
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